DIÁTESES
Existindo um número considerável de remédios diatésicos, o terapeuta terá de procurar nas suas patogenesias os sintomas do quadro patológico apresentado pelo doente e obtido com recursos que não se limitam aos sinais recentes.
Ao lado de Sulfur, os medicamentos principais da Psora são: Arsenicum Album, Lycopodium e Nux Vomica. A Calcarea Carbonica é o medicamento constitucional e o nosodo é o Psorinum. (Constituição é um conceito essencialmente pluralista).
Ao lado da Thuya – a Thuya é a Sicose; a Sicose é a Thuya –, Dulcamara e Natrum Sulfuricum. O constitucional é a Calcarea Carbonica e o nosodo é o Medorrhinum.
Para a Luese temos como principais ao lado de Mercurius Solubilis: Argentum Nitricum, Lachesis e Phytolacca. O constitucional é Calcarea Fluorica e o nosodo é o Luesinum.
No Tuberculinismo, encontramos Phosphorus, Natrum Muriaticum, Pulsatilla e Sépia. O constitucional é a Calcarea Phosphorica e o nosodo é o Tuberculinum.
A série cancerínica é a mais recente e não está bem definida. O nosodo é o Carcinosinum. Os três grandes cancerínicos são: Thuya, Conium e Hydrastis.
O medicamento constitucional de cada uma das diáteses:
Psora – Calcarea Carbonica;
Sicose – Calcarea Carbonica;
Lues – Calcarea Fluorica;
Tuberculinismo – Calcarea Phosphorica.
As constituições – o conceito de constituição tem o seu domínio praticamente limitado à Escola Pluralista –, carbónica, fosfórica e fluórica, que são uma constante dos indivíduos, foram estudadas por Nebel e são determinadas pela observação do esqueleto e da forma do corpo.
O carbónico apresenta formas arredondadas e o antebraço apresenta na posição de repouso, relativamente ao braço, um ângulo inferior a 180º.
O fosfórico é um longílineo, grande e magro. O antebraço está exactamente no prolongamento do braço.
O fluórico é um longílineo ou brevílineo, com o rosto e o corpo dissimétricos, decorrentes de deformações esqueléticas. Os dentes estão mal implantados. O antebraço apresenta relativamente ao braço, um ângulo superior a 180º.
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PSORA
[Sulphur = Principal.
Baryta carb., Calc. carb., Calc. sulph. (não menos importantes).
Psorinum = Principal nosódio]
A psora resulta na sua base conceitual Hahnemaniana, das sarnas cutâneas. Estas abundavam na época e encontravam-se mal definidas clinicamente. Deste modo, a psora não resulta exclusivamente da sarna, mas também de toda uma série de enfermidades dermatológicas – eczemas, dermatoses, dermatites, micoses, etc.
Este grande miasma, comporta assim uma componente cutânea, seja ela adquirida ou congênita.
No que respeita ao quadro sintomático e de sinais clínicos psóricos:
Dermatologicamente apresentam-se manifestações mais ou menos intensas do miasma psórico.
O simples prurido é um sintoma da psora.
Sintomatologia respiratória, crônica, alternada e com periodicidade.
Termoregulação alterada.
A presença de sintomatologia pertencente ao aparelho digestivo.
Obstipação, funcionamento intestinal comprometido, desejo de açúcares e alterações do apetite.
Todas as secreções e excreções apresentam um odor forte e desagradável.
Problemas das faneras, especialmente das unhas.
Problemas ginecológicos – prurido vulvar, leucorreias nauseabundas e irritantes.
Propensão a parasitoses.
Astenia e tristeza exacerbadas.
Modalidades: Agrava (<) pelo frio ou pelo calor. Agrava com a Lua – cheia, nova, quarto minguante.
SICOSE
Responsável pelas nossas infiltrações (quando ativa).
A sicose resulta da evolução crônica de uma gonorreia. O conceito de sicose além de se enquadrar no quadro patológico da blenorragia, ultrapassava os seus limites e englobava qualquer tipo de tumoração benigna.
Os principais sinais e sintomas clínicos são:
Corrimentos genitais.
Diarreias de cor esverdeada.
Sudação exacerbada.
Exsudação rinofaríngea e do aparelho respiratório.
Neoformações cutâneas.
Tumoração volumosa, lenta, regular e benigna.
Aumento de peso.
Ruminação de pensamentos, angústia e mau humor.
Quadros fóbicos, especialmente o receio de neoplasias.
Ideias fixas e sensações corporais bizarras.
Agravamento das enfermidades pela humidade, especialmente pelo frio húmido.
Dores articulares.
Ingestão exagerada de chás.
Modalidades:
Agrava (<) mediante todas as formas de humidade.
Má reação à vacinação.
Agrava (<) por certos alimentos – chá, café, cebola.
Melhora (>) com a secura e o calor.
Melhora (>) com eliminações líquidas.
Medicamentos: Se há Sicose tem que tratar logo, para evitar o miasma Cancerinismo.
Thuya occidentalis é o principal, pois tem os sintomas importantes.
Outros com bastantes sintomas sicóticos -> Causticum, Nitri acidum e Silicea.
Medorrhinum é o nosódio principal.

Apresentação de remédios homeopáticos
Os remédios são apresentados de várias formas, sendo as mais comuns as seguintes: Grânulos, em tubos para várias doses. É o mais difundido e é servido em praticamente todas as farmácias. É a maneira recomendada, especialmente no início.
Células sanguíneas, em pequenos tubos com uma única dose por soquete. Geralmente será um Homeopata que prescreve uma dose mono de algum remédio, embora algumas marcas os ofereçam para gripe e outros tratamentos.
Gotas, em recipientes de vidro de diferentes tamanhos, para levar sozinho ou misturar com água. Eles geralmente devem ser pedidos de laboratórios através de farmácias.
Quando você tem verificado a eficácia de um remédio e decide sempre tê-lo à mão, é interessante tê-lo em gotas, pois, embora um recipiente de 30 cc saia mais caro do que um tubo de grânulos, ele contém muito mais doses.
Pomadas, em tubos com diferentes remédios. As pomadas são limitadas na homeopatia e são apresentadas ao mercado por diferentes laboratórios.
Xaropes, feitos com diversos remédios, por diferentes laboratórios, são apresentados em potes de vidro. Tintura materna, para misturar com água, para uso externo.
Que diluição escolher Baixas diluições: 5 ou 7 ch. São utilizados para tratar situações agudas, com sintomas físicos específicos (febre, angina, otite, dor de cabeça, etc.).
Diluições médias: 9 ou 15 ch. Sejam sintomas concretos, agudos ou não, são acompanhados de vários sintomas, características e tipologia do remédio. Altas diluições: 30 ch. Tais diluições devem ser prescritas por um homeopata, pois agem no contexto psicológico do indivíduo.
Caso um determinado remédio tenha sido administrado em diluições médias antes e tenha sido observada uma melhora clara, uma dose do remédio pode ser tomada, em altas diluições, se algum dos sintomas ainda persistir, embora fracamente. Como é administrado
Ambos os grânulos, células sanguíneas e gotas, devem ser depositados sob a língua para absorção adequada. Sua boca deve ser mantida limpa de alimentos, bebidas e nicotina e afastada desses consumos por um mínimo de 15 a 20 minutos.
O mentol contido em algumas pastas de dentes altera a absorção de remédios homeopáticos, por isso é aconselhável comprar uma pasta de dente livre desta substância.;
A pomada é aplicada como qualquer outra pomada da medicina tradicional.
O xarope é tomado em doses com uma colher.
A tintura materna é diluída em um copo de água, seja para enxaguar ou limpezas.
Quantas vezes o remédio é tomado:
Os remédios homeopáticos são tomados apenas enquanto a doença ou sintoma persiste. À medida que estes melhoram, as ingestão devem ser espaçadas, até que o tratamento seja concluído, quando os sintomas desaparecerem.
Em casos agudos, muito dolorosos, deve ser tomado a cada 15 minutos, e o tempo será espaçado à medida que a condição melhorar.
Se não for observada melhora com os remédios escolhidos, o tratamento deve ser interrompido e um homeopata, médico ou centro de saúde deve ser consultado.
Para casos não agudos é suficiente para tomar duas vezes por dia, manhã e noite, os remédios certos.
Para sintomas psicológicos, basta tomar o remédio uma vez por dia, mesmo uma semana ou um mês, mas sempre será melhor para essa decisão ser passada por um Homeopata.
Quanto deve ser usado:
Para grânulos, 3 grânulos são suficientes em cada vez.
As células sanguíneas geralmente ocorrem em uni-doses, então uma dose terá que ser tomada.
As gotas são misturadas com um pouco de água e apenas 5 a 10 gotas por tomada.
A tintura materna é diluída entre 5 e 10 gotas em um copo de água.
Para a pomada, uma avelã do produto é suficiente com uma massagem suave na área a ser tratada, até sua completa absorção, ampliando ou reduzindo a quantidade de acordo com a extensão da área afetada.
O xarope é tomado numa colher de sopa em cada dose.
Quanto tempo deve ser levado:
Como regra geral, o medicamento homeopático só deve ser tomado na duração dos sintomas para os quais foi prescrito. Uma vez que os sintomas se foram, o tratamento deve ser interrompido.
A menos que seja declarado pelo homeopata.


Repertório Homeopático - Dr. Paulo Venturelli – diretor técnico – Clínica Waldemiro Pereira.
1) Rubrica Miasmática: Apresentação da linguagem repertorial diatésica…
1.1) Psora: Sulphur e muitos outros medicamentos com radicais sulfúricos ou sulfurados, a exemplo do Natrum sulphuricum, importante em alguns casos de afecções respiratórias de origem imunológica ou alérgica, tais como a asma. Outro exemplo primordial é o Niccolum sulphuricum, que é muito útil em quadros de alergia em geral.
1.2) Sicose: Thuya e demais medicamentos de origem vegetal, sendo merecedores de nota os remédios Ignatia amara e Staphysagria (ambos úteis em alguns quadros depressivos e nervosos, conversivos ou psicossomáticos) ademais de Nux vomica e Lycopodium, estes que são importantes em muitos dos pacientes com afecções digestivas ou viscerais em geral. E uma nota especial ao medicamento Ipeca ou Ipecacuanha, que pode ser considerado o “Phosphorus vegetal” (útil em doenças respiratórias e hematológicas, particularmente as hemorrágicas).
1.3) Luetismo: Mercurius vivus, mas valendo lembrar que o bromo, assim como o mercúrio, também é um elemento químico líquido em condições ambientais, o que sugere o uso dos remédios Bromium e Kali bromatum, dentre outros elaborados a partir desses elementos.
1.4) Miasmas Recombinantes:
a) Artritismo: Calcarea carbonica e vários outros remédios com o elemento químico carbono em sua composição, a exemplo do Natrum carbonicum, ou mesmo o próprio carbono, como no caso do Graphites, este que é muito utilizado em afecções dermatológicas e reforça o componente psórico deste miasma, enquanto que a prescrição de Carbo vegetabilis é mais indicada aos traços sicóticos desta diátese artrítica.
b) Tuberculinismo:
b.1) Quadros respiratórios e hemorrágicos: Phosphorus e muitos outros remédios com radicais fosfóricos ou fosforados, que são úteis nas infecções respiratórias, a exemplo do Ferrum phosphoricum, importante também em alguns pacientes com afecções inflamatórias ou com febre.
b.2) Quadros nervosos: Natrum muriaticum, que também é um remédio muitas das vezes útil no tratamento do herpes labial (sendo que no caso de herpes zoster a indicação de Metallum album é mais bem graduada, em especial, nos pacientes com imunidade deprimida por neoplasias malignas).
b.3) Quadros de astenia ou de esgotamento: Silicea terra, especialmente na falta de calor vital, mas sendo interessante também algum grau repertorial de nota ao elemento químico estanho, quando a astenia se deva às doenças respiratórias, infecciosas ou não, seja tanto o Stannum metallicum quanto o Stannum iodatum.
c) Cancerinismo: Radium bromatum (aqui é interessante notar que o rádio é um metal pesado, tal qual o mercúrio, enquanto que o bromo é um elemento químico líquido em condições ambientais, o que ressalta o caráter luético desta diátese cancerínica, que é sicótico-luética)… Além disso há outras opções, como a Platina e o Metallum album, dentre outros fármacos.
1.5) Diabetismo:
OBSERVAÇÃO: Diabetsimo é um miasma postulado por este autor, na publicação do livro intitulado Dinamização in Vivo, de 2004, editado e publicado pela Editora
Letramédica (em Joinville)…
a) Hipertensão arterial sistêmica (HAS) e doenças cardiovasculares: Aurum metallicum.
b) Diabete mélito: Phosphoricum ac.
b.1) Diabete mélito tipo 1: Plumbum metallicum ou Plumbum iodatum.
b.2) Diabete mélito tipo 2: Uranium nitricum ou Uranium metallicum.
c) Diabete mélito e hipertensão: Lachesis muta ou Vanadium.
2) Rubrica Constitucional:
Apresentação da linguagem repertorial biotipológica ou somatotípica…
2.1) Constituição Sulfúrica: Biotipo mediolíneo (de nosódio do Psorinum).
É a sub-rubrica da morfofisiologia nitrogenoide…
a) Em grau primordial se destacam os seguintes remédios: Sulphur, Nitri acidum e Argentum nitricum.
b) Em grau secundário são dignos de nota os fármacos a seguir: Uranium nitricum e Ambra grisea.
c) Quase todos os outros medicamentos que não estejam em algum grau em outras constituições, estarão em grau terciário da constituição sulfúrica.
2.2) Constituição Carbônica: Biotipo brevilíneo (de nosódio do Medorrhinum). É a sub-rubrica da morfofisiologia hidrogenoide…
a) Em primeiro grau: Calcarea carbonica, Graphites e Capsicum.
b) Em segundo grau: Anacardium orientale e Phytolacca decandra.
c) Em grau terciário: Allium sativum, Manganum aceticum, Cerium oxalicum e Fucus vesiculosus.
2.3) Constituição Fosfórica: Biotipo longilíneo (de nosódio do Tuberculinum). É a sub-rubrica da morfofisiologia oxigenoide propriamente dita…
a) Grau primordial: Natrum muriaticum, Sepia officinalis e Phosphorus.
b) Grau secundário: Selenium e Stannum metallicum ou Stannum iodatum.
c) Grau terciário: Bromum, Iodum e Plumbum.
2.4) Constituição Fluórica: Biotipo indeterminado (de nosódio do Carcinosinum). É a sub-rubrica da morfologia oxigenoide de Grauvogl, posteriormente definida como morfologia halogenoide (ou de morfofisiologia metaloide)…
a) Grau principal: Metallum album, Antimonium crudum e Silicea.
b) Grau secundário: Fluoris acidum e Antimonium tartaricum.
c) Grau terciário: Borax e Tellurium.
OBSERVAÇÃO: Embora o mercúrio não seja um metaloide, e sim um metal, o medicamento Mercurius solubilis pode ser incluído em grau especial nesta sub-rubrica.
3) Rubrica Metabólica: Apresentação da linguagem repertorial endócrina…
OBSERVAÇÃO: Enquanto os biotipos constitucionais mostram uma natureza primariamente anatômica e secundariamente fisiológica, ao contrário disso, os estados tróficos se caracterizam por uma natureza primariamente fisiológica e secundariamente anatômica. De outro modo, ainda, temos os miasmas, que são diáteses mórbidas, quer dizer, os miasmas não são de natureza anatômica e nem fisiológica, mas sim de tendência patológica.
Em outras palavras, por um lado os miasmas são tendências mórbidas, e por outro lado, os biotipos constitucionais e endócrinos são modos reativos primariamente anatômicos ou fisiológicos. Isso significa que os miasmas sejam primariamente patológicos, enquanto que os biotipos sejam primariamente e secundariamente reativos, embora possam terciariamente patológicos.
O fato é que tanto os miasmas quanto os biotipos são individualizantes, porém, menos importantes que a síndrome mínima de valor máximo (SMVM).
Enfim, as constituições são mais estruturais e os estados tróficos ou metabólicos são mais funcionais, ou seja, as constituições são relativamente permanentes e os estados metabólicos são relativamente dinâmicos.
3.1) Estado Hipertrófico: Grupo do ouro…
a) Grau principal: Aurum metallicum, Calcarea carbonica e Graphites.
b) Grau secundário: Antimonium crudum (e Niccolum sulphuricum 4 DH em quadros de alergia, dorsalgia e nervosismo, incluindo gastrite nervosa).
c) Grau terciário: Cerium oxalicum e Baryta carbonica.
3.2) Estado Eutrófico: Grupo da prata…
a) Grau principal: Argentum nitricum, Sulphur e Metallum album.
b) Grau secundário: Tellurium (e Niccolum sulphuricum 4 DH em quadros de alergia, dorsalgia e nervosismo, incluindo gastrite nervosa).
c) Grau terciário: Uranium nitricum.
3.3) Estado Hipotrófico: Grupo do bronze…
a) Grau principal: Silicea terra, Phosphorus e Ambra grisea (além de Selenium ou Sepia officinalis).
b) Grau secundário: Stannum metallicum ou Stannum iodatum (e Nitri acidum 4 DH em quadros dermatológicos).
c) Grau terciário: Zincum metallicum ou Zincum valerianicum e Cuprum metallicum ou Cuprum arsenicosum.
OBSERVAÇÃO: O Zincum é chamado também de Stannum indicum.
3.4) Estado Distrófico: Grupo do ferro…
a) Grau principal: Mercurius solubilis, Ferrum phosphoricum e Hepar sulphur (são os chamados “antibióticos homeopáticos”, ou seja, aqueles remédios que são bem empregados em quadros infecciosos em geral).
b) Grau secundário: Pyrogenium.
c) Grau terciário: Plumbum metallicum ou Plumbum iodatum e Secale cornutum (esporão do centeio pelo fungo Claviceps purpurea).
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